Tempo, Tempo, Tempo; O Homem que se deixou devorar pelo Tempo
Um homem sábio do nosso tempo disse certa vez que o "nosso único dever real é lutar ferozmente para introduzir, no tempo de cada dia, o máximo de eternidade". Quando olhamos para as estradas da Galileia e o caminhar pelo vale da sombra da morte, percebemos que foi exatamente isso que Cristo fez: caminhou no tempo dos homens, mas plantando as sementes do Reino de Deus a cada amanhecer, mesmo quando a luz tardava a chegar naquele lugar.
Mas o oposto também acontece. Há aqueles que, tomados pelo medo, deixam de viver o hoje porque acreditam que o tempo já os venceu.
Imagine um homem que, ainda na força dos seus dias, olhou para o horizonte e decretou: "Quem fez, fez; quem não fez, não faz mais". Vinte anos se passaram desde aquela frase, e aquele homem continua parado no mesmo lugar, trancado na fortaleza do seu próprio temor. O medo do fim o paralisou de tal forma que ele se recusa até mesmo a cuidar do próprio corpo, deixando que seus dentes caiam sem conserto, como se dissesse: "Para que cuidar do que o tempo vai levar?".
Esse homem transformou a sua própria vida em um leito de paralítico. Ele não está morto, mas já aceitou ser devorado por Chronos, o tempo linear que consome os dias e rouba a esperança. Ele sentou-se à beira do caminho e abriu a boca para esperar a morte chegar.
Olhando para essa cena, o coração de quem ama se enche de uma profunda tristeza e de um peso insuportável. Sentimo-nos impotentes. Queremos ser o salvador daquele homem, queremos forçá-lo a levantar, mas logo percebemos a verdade mais dolorosa de todas: nós não somos o Cristo eterno. Não temos o poder de dar pernas a quem escolheu continuar deitado. O livre-arbítrio é o solo sagrado onde nem mesmo o céu pisa à força. Jesus sempre perguntava: "Queres ser curado?", porque a cura exige o desejo de viver.
O que o mestre nos ensina, então, quando nos deparamos com os leitos daqueles que amamos e não podemos curar?
Ele nos lembra daquele paralítico a quem Ele estendeu a mão. Jesus não o levou consigo no barco para viver nas nuvens; Ele deu uma ordem clara: "Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa".
Tomar o leito significa que aquilo que antes te paralisava e te dominava pelo medo, agora deve ser carregado por você como prova de vitória. E ir para casa significa que a eternidade não se vive na fuga da realidade, mas na transformação do nosso dia a dia, por mais difícil e cinzenta que seja a nossa rotina.
Se você ama alguém que escolheu se entregar ao medo do tempo, não tente carregar o leito por ele. Entregue esse fardo nos ombros de Quem realmente pode carregar a humanidade. A sua missão, como um "pequeno Cristo" na Terra, não é salvar quem quer se perder, mas garantir que o medo do outro não paralise a sua própria caminhada.
Cuide do seu corpo, limpe a sua casa, cure a sua mente e lute ferozmente hoje. Enquanto houver fôlego, o Reino de Deus estará à mão. Não permita que o tempo devore os seus dias; faça de cada segundo um pedaço de eternidade. Quem tiver discernimento para discernir, que discirna.
Luciano FDS Paula,
Fortaleza, agosto de 2026.